O Disque 100 registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, mantendo a violação em nível elevado no país. O balanço importa porque expõe um problema persistente e ajuda a orientar políticas públicas.
Os dados mostram que a pressão recai de forma desproporcional sobre religiões de matriz africana. Mesmo nos primeiros dias de 2026, o canal já somava 51 denúncias, sinal de que o cenário continua ativo.
A leitura prática é direta: o volume de registros reforça a necessidade de denúncia, resposta estatal e proteção mais rápida às vítimas, sobretudo em estados com maior concentração de ocorrências.
Balanço mais recente do Disque 100 em 2026
O levantamento oficial aponta que as 2.774 denúncias foram registradas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, dentro do canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
O mesmo balanço informa que, em 2024, o país havia registrado 2.472 violações motivadas por intolerância religiosa. A comparação indica continuidade da escalada observada nos anos anteriores.
Em 2025, os meses com maior concentração de registros foram abril, com 278 casos, setembro, com 272, e outubro, com 256. A distribuição constante sugere problema estrutural, e não episódios isolados.
- 2.774 denúncias no recorte de janeiro de 2025 a janeiro de 2026
- 51 denúncias apenas nos primeiros dias de janeiro de 2026
- 2.472 violações contabilizadas ao longo de 2024

Quem mais aparece nas denúncias
Entre as religiões identificadas nos registros, Umbanda, Candomblé e outras tradições afro-brasileiras concentram a maior parte das ocorrências. O padrão reforça a associação entre intolerância religiosa e racismo religioso.
Segundo o detalhamento do levantamento, a Umbanda aparece com 228 registros, o Candomblé com 161 e ocorrências classificadas como Umbanda e Candomblé com 47. Outras religiosidades afro-brasileiras somam 40 casos.
As denúncias também atingem fiéis evangélicos, católicos, espíritas, judeus, muçulmanos, ateus e pessoas sem religião. Ainda assim, a incidência sobre povos de terreiro segue muito acima dos demais grupos.
Em outra avaliação oficial, a maioria absoluta das denúncias recebidas pelo Disque 100 foi relacionada à discriminação contra praticantes de religiões de matriz africana.
- Umbanda: 228 registros
- Candomblé: 161 registros
- Umbanda e Candomblé: 47 registros
- Outras religiosidades afro-brasileiras: 40 registros
Estados com mais ocorrências e perfil das vítimas
O recorte territorial mostra maior volume em São Paulo, com 667 denúncias, seguido por Rio de Janeiro, com 446, Minas Gerais, com 323, e Bahia, com 211.
Os dados também indicam maior incidência entre adultos. As faixas etárias mais citadas nas denúncias ficam entre 30 e 44 anos, com destaque para grupos de 40 a 44, 35 a 39 e 30 a 34 anos.
Em 2024, as denúncias por intolerância religiosa já tinham praticamente dobrado nos primeiros sete meses do ano, mostrando que o salto de registros não surgiu de forma repentina em 2026.
- Registrar a ocorrência no Disque 100
- Guardar provas, mensagens, imagens ou testemunhos
- Procurar delegacia ou Ministério Público quando houver crime
- Acionar redes locais de proteção e assistência
O volume de denúncias não mede sozinho toda a violência, porque parte dos casos nunca chega aos canais oficiais. Contudo, os registros funcionam como base para ações de prevenção, atendimento e formulação de políticas. Eles ajudam a identificar territórios, grupos afetados e padrões recorrentes de agressão.
Para 2026, o principal alerta é claro: a intolerância religiosa segue recorrente, concentrada sobre tradições afro-brasileiras e exigindo resposta contínua do Estado, da Justiça e das redes de proteção.
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